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A CEIA DE COPACABANA E OUTRAS HISTÓRIAS NATALÍCIAS


Publicado em: 06/12/2016 - 01:12:25
Fonte: Luís Pimentel


A ceia de Copacabana

     Se durante o ano o bar Bip Bip, em Copacabana (não preciso localizar no tempo e no espaço, porque Copacabana só tem uma e o bar também é único), é templo profano da boemia e da música, no dia de Natal é território sagrado do amor e da caridade. O dono da casa, Alfredo Jacinto Melo, conta com o apoio culinário do hotel mais famoso do bairro, da cidade e do país para oferecer um almoço completo e delicioso aos necessitados das ruas ou das comunidades próximas.
     No último regabofe desses a que estive presente, com mesas perfiladas na calçada, sobre elas pratos cheios com galinha assada, farofa e arroz, tudo de primeiríssima qualidade (comprovei participando do almoço), em volta das mesas tantas pessoas que há muito não faziam uma refeição daquelas, me concentrei no brilho de alegria e felicidade que pulava dos olhos do Alfredo.
     O mesmo brilho que já identifiquei em fotografias de indivíduos que se chamavam Gandhi, Che, Helder Câmara, Irmã Dulce, Mujica e mais alguns, todos viciados em fazer o bem.

Dia de folga

     Todo dia 24 de dezembro o genro levava duas grandes bisnagas de pão de sal e uma garrafa de vinho adocicado. Na sacola de papel pardo estavam também uma peça de bacalhau, danado de ossudo, e umas castanhas que a mãe botava logo para cozinhar.
     O menino ia até a venda de Mateus comprar óleo, manteiga, ovos, canela e açúcar, e à noite os pães já tinham virado rabanadas. O bacalhau passava a noite dentro de uma bacia com água. Pela manhã era separado dos ossos e da pele. A mãe caprichava no ensopado com leite de coco, tomate, batata e coentro à vontade.
     Aí sentavam-se à mesa – costume que não era do dia-a-dia. Os adultos bebiam vinho, os meninos bebiam K-suco, o bacalhau engolido com arroz fresco e farinha de mesa parecia a terceira coisa melhor do mundo; a segunda era a rabanada com café quentinho logo depois e a primeira era que naquele dia a mãe não tinha que sair para o trabalho, era dia de folga, mesmo que não fosse domingo.
A boneca
 
     A menina queria porque queria a boneca que tinha cabelos de milho e revirava os olhinhos.
     Diante da vitrine da loja, na manhã do 24 de dezembro, o pai contava os trocados. Um olho nos olhos ansiosos da filha, outro nos olhos sedutores da boneca.
     Feita a conta, o pai perguntou à vendedora se poderia parcelar. A moça respondeu que não.
     O pai perguntou se a menina ficava triste. A filha não respondeu nada. Ele quis saber se poderia adiar a compra para o final do mês. A vendedora disse que no fim do mês talvez a boneca já tivesse sido vendida.
     O pai coçou os olhos de angústia, secou uma lágrima triste. A menina deu um abraço bem apertado no pai, sorriu com os olhos de amor e disse:
     – Não importa. Essa boneca nem é tão bonita assim.



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