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NOITES JUNINAS EM FEIRA

Da série “Verdade e Mentiras sobre Feira de Santana”
Publicado em: 12/07/2016 - 00:07:00
Fonte: Emanoel Freitas


Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
    E as noites iluminadas por fogueiras, fogos e balões avançavam animadamente para as madrugadas tendo como fundo musical a boa música de Luiz Gonzaga e outros grandes mestres nordestinos. Não havia uma festa em especial. A cidade toda era a festa. Com exceção de alguns poucos evangélicos (na época tínhamos apenas duas Igrejas que denominávamos de Protestantes), todos os demais moradores da cidade montavam fogueiras na frente de suas residências e abriam literalmente suas portas aos visitantes de ocasião, fossem conhecidos ou não.
    Com os mais variados tipos de licores, destacando o de jenipapo (vedete da festa, nunca entendi porque), canjicas, pamonhas, lelês, bolos, os mais variados, com destaques para os bolos de milho verde, bolo de puba, tapioca e de aipim, além do tradicional amendoim cozido, pipocas, marias moles, milhos cozidos e assados na fogueira entre conversas e gracejos, enquanto a madeira verde estalava queimando entre outras toras para nossa alegria, enquanto saboreávamos as muitas iguarias, além de outras tantas que caracterizavam os gostos e as vaidades das quituteiras juninas.
    As mesas dos pobres e dos ricos eram sempre fartas para receber os visitantes, invariavelmente com sorrisos nos lábios. O que distinguia o poder aquisitivo dos anfitriões era o “queijo cuia”(Queijo do reino) sobre a mesa. Só os mais abastados ousavam oferecer aquele queijo aos visitantes, considerado tão especial que, naquela época, já custava bem mais caro que os demais e era pouco comum, mesmo nos grandes armazéns de Secos e Molhados. Não haviam ainda os Supermercados, que a rigor é uma novidade da modernidade, para os mais velhos.
    Era a festa mais farta e mais econômica ao mesmo tempo. Qualquer pessoa podia passar a noite bebendo e comendo sem precisa colocar a mão no bolso nem uma só vez, sequer. Era também a festa mais democrática que já se ouviu falar, pois não havia convites, bastava bater palmas na frente das casas, isso se os proprietário já não estivessem nos terreiros soltando fogos com as crianças, e dizer em voz alta:
            - “São João passou por aqui?”;
    E imediatamente ouvíamos:
            - “Passou! Vá entrando”;
    E os visitantes se serviam a vontade. Por força das circunstâncias, por mais gulosos que pudessem ser os indivíduos, terminavam se contendo, pois haviam muitas iguarias para serem degustadas e em muitos lugares. Em regra, as andanças de casas em casas eram feitas em grupos, nas regiões próximas as próprias residências ou na de parentes e amigos. Era costume as crianças soltarem fogos, os adultos tocavam foguetes e soltavam balões. Em algumas momentos da noite o céu ficava completamente iluminados por balões de todas as cores e em formatos criativos, como barcas, botas, estrelas, muitos absolutamente inusitados, havia sempre alguns que não chegavam a sair do chão, pois apesar de originais, seus criadores não tinham noções mais apuradas de aerodinâmica, assim embora inovadores nos seus formatos não conseguiam alçar voo, e culminavam até pegando fogo.
    Havia os mais festivos que convidavam amigos músicos ou até contratavam trios de forrós “pés de serra” para animar as festas em ambientes das residências, e onde a dança se estendia até os primeiros raios de sol do dia seguinte. Era comum a brincadeira do chapéu, que consistia em tomar o parceiro de um dos casais que estavam dançando, quando havia mais homens o chapéu ficava com um deles que colocava na cabeça de quem estava dançando e lhe tomava a dama, quando havia mais mulheres, a elas era dado o chapéu que procedia da mesma forma.
    Na medida em que a noite se aprofundava na madrugada, os fogos iam diminuindo, as fogueiras perdiam a luminosidade e os balões iam sumindo do céu, o que margeava outras brincadeiras criativas, como era comum aos namorados brincarem de balão beijo, que era mais uma delícia junina para os apaixonados. Cada um estabelecia uma cor ou um formato de balão e aquele que avistasse primeiro no céu o balão com aquelas características ganhava um beijo, que era previamente combinado como seria.
    Os meninos também brincavam, mas de balão bolo, que tinha as mesmas regras, mas quem avistasse primeiro, no céu, o balão com as características previamente combinadas, gritava "balão bolo" e ganhava o direito de dar bolos nos amigos envolvidos na brincadeira. Era um furdunço e motivo de contar vantagens.
    Comum a todos era “pular a fogueira” para se tornarem compadres, sem ter que batizar os filhos dos amigos ou amigas. Todos se divertiam com estes folguedos, meninos, jovens e pessoas mais velhas. Era comum, vez por outra, alguém se machucar na fogueira, e até cair sobre elas em acidentes, as vezes dramáticos,  mas na maioria das vezes hilariante.  Pular a fogueira era simbólico, não era necessário que o pulo fosse sobre a fogueira propriamente dita, era suficiente puxar um “tição” e segurando a mão do futuro compadre ou comadre repetia três vezes, passando de um lado para o outro do “tição”: São Pedro dormiu, São João acordou, vamos ser compadres que São João mandou”. E muitos compadres de fogueira junina passaram a vida se considerando compadres de verdade e se respeitando como tal.
    Também era difundido na época que não poderiam os compadres namorar com as comadres, de modo que não me lembro de ter tido nenhuma comadre em minha infância e adolescência, mas era comum aos meninos, metidos a mais espertos, pularem fogueiras com as meninas, as quais não pretendiam de nenhuma forma namorar, neste sentido testemunhei também alguns tristes arrependimentos, em virtude de comadres que eram patinhas feias e que se tornaram belíssimas cisnes, para castigos dos maledicentes e pessimistas. Ressacas de maravilhosas festas juninas vividas.



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