menu
-Agenda Cultural
-Restaurantes
-Teatros
-Museus
-Comentários
-Fale conosco
-Política de Privacidade
-Utilidade Pública
-Links Feirense
-Artes Cênicas
-Artes Visuais
-Artesanato
-Bandas
-Literatura
-Músicos
ENTRETENIMENTO
-Cinema
-Arquivo de Eventos
-Festival Vozes da Terra
-Festival Gospel 2010
-Natal na Praça 2010
-Micareta 2011
-Últimos Eventos
-Radio Viva Feira
-TV Viva Feira
-Videos Viva Feira
COLUNISTAS
-Beto Souza
-Cezar Ubaldo
-Dr. Ed Forró
-Emanoel Freitas
-Fabiana Machado
-João Bosco do Nordeste
-Luís Pimentel
-Maiara Santos
-Raymundo Luiz Lopes
-Sandra Campos
-Sandro Penelú
-Silvana Carneiro
 
 
 
O PASSADO GUERREIRO

12/2015
Publicado em: 20/03/2015 - 20:03:22
Fonte: Hugo Navarro / Folha do Norte


    A história das comunidades é sempre cheia de hiatos, omissões, suposições, fantasias e lendas na maioria das vezes criadas pela imaginação, interesse ou crença de alguns, ou são decorrentes da incapacidade de muitos para o trabalho da pesquisa e do raciocínio que os leva a aceitar o que está estabelecido como verdadeiro sem indagação e sem dúvidas, as únicas virtudes que em verdade colocam o gênero humano pouco acima da debilidade mental.
    A trajetória do Brasil está cheia de dúvidas, a começar de fatos importantes, como o do descobrimento, se foi por acaso ou simples ato de posse; o Grito de Independência, verdade ou lenda, que ganhou corpo com um quadro do pintor Pedro Américo, e se o Mal. Deodoro, monarquista e amigo do Imperador, no 15 de novembro agiu por convicção ou se procedeu, de saúde gravemente abalada, por imposição de irredutíveis companheiros de armas.
    Feira de Santana, como qualquer outra comunidade, também possui seus mitos, uns antigos e outros quase recémcriados. O primeiro, talvez o mais persistente, é o de Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, que ganhou força porque envolve algo de enternecedor e cheio de religiosidade, a história da Vila que teria nascido à sombra de uma igreja, quando nem igreja havia, então, mas simples e pobre capela de fazenda sertaneja do século XVIII.
    A lenda do nascimento de Feira tentou ganhar força, recentemente, com outra, a do casarão dos Olhos d’Água, felizmente desmascarada a tempo.
    Enquanto as lendas ganham corpo e força, por conta de que acreditar é fácil e cômodo, fatos e pessoas importantes na vida do Município são esquecidos e sepultados como os graves acontecimentos da revolta que tomou o nome de Sabinada, cujo aniversário, até 1.900, pelo menos, foi aqui comemorado com festa, discurso, bandeira e hino, conforme “O Progresso” de 8 de novembro daquele ano.
    Segundo o jornal, a regência do Pe. Feijó teria suscitado forte oposição e a Sabinada foi urdida entre altos escalões do Império. Estourou em Salvador, sob a liderança do Dr. Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, em 1837 e chegou a assumir o governo da Província. À falta de objetivos definidos, característica, em geral, dos movimentos revolucionários brasileiros, enquanto tentava resolver se proclamava, ou não, a independência da Bahia, e por qual sistema de governo optava, república ou monarquia, o poder central reagiu e derrotou os insurgentes.
    Na Vila de Feira, tropas de Higino Pires Gomes, que aderiram à Sabinada, foram combatidas e vencidas em batalha travada contra forças legais em Terra Dura, freguesia de São José das Itapororocas.
    Combates outros havidos em Feira foram registrados por historiadores como Arnold Silva e José Álvares do Amaral.
    Narra, “O Progresso”, que as forças imperiais, depois de praticar toda sorte de violências, retiraram-se desta Vila em 24 de janeiro de 1838, conduzindo os últimos prisioneiros, entre os quais o Alferes Barauna, que teria comandado tropas insurretas em Terra Dura, lamentando o povo a longa procissão dos presos, que eram levados à corveta. Tratava-se da Corveta Presiganga, ancorada na Bahia de Todos os Santos, a bordo da qual revolucionários foram submetidos a tormentos. Foi barbaramente espancado o conhecido compositor e letrista Domingos da Rocha Mussurunga.
    Todos os dias, afirmava-se, abriam-se os porões da Presiganga e cadáveres de prisioneiros mortos de fome, sede e espancamentos eram atirados ao mar.
    Em toda a Província o número de prisioneiros teria passado dos três mil. Morreram mais de mil combatentes. As armas usadas eram as carabinas de pedra, baionetas, outras armas brancas e peças obsoletas de artilharia, às vezes tomadas à unha.
    O comandante em chefe das forças legais na Bahia, Mal. João Crisóstomo Calado, em relatório ao Ministério da Guerra narra a selvageria dos recontros em que “as armas se disparavam, mutuamente, sobre os peitos de vencedores e vencidos”.
    Feira tem o seu passado guerreiro, que não deve ser esquecido.



Apoio Cultural:



Viva Feira

Higienizar
New Page 1

 

© 2009-2016 Viva Feira - Todos os direitos reservados